O patrimonio que nao aparece nos cartoes postais
Goias tem muito mais do que a cidade historica. Mas o que nao aparece nos guias tende a desaparecer.
Dalvina Nogueira

Qualquer pessoa que mencione cultura em Goias vai, quase inevitavelmente, ouvir tres palavras: Cidade de Goias. A capital historica, a arquitetura colonial, o Rio Vermelho, a Procissao do Fogareu. Sao imagens poderosas e merecidamente celebradas.
O problema e quando esse holofote apaga tudo o que esta ao redor.
Pense em Pirenopolis, claro. Mas pense tambem nas festas de folia de reis que percorrem o sertao goiano em janeiro, organizadas por comunidades que raramente aparecem em reportagens. Nas ceramicas produzidas por artesaos de Buriti de Goias, cuja tecnica passa de avo para neta sem qualquer registro formal. Nos festeiros do Divino Espirito Santo que constroem imperios efemeros de bandeiras coloridas em cidades de dez mil habitantes.
Esse patrimonio nao tem IPHAN, nao tem tombamento, nao tem verbas de restauro. Sobrevive porque alguem se importa o suficiente para acordar cedo numa manha de agosto e passar o dia ensaiando.
Quando esse alguem para de existir, o patrimonio para junto.
Nao e pessimismo. E o reconhecimento de que preservar cultura exige mais do que fotografar fachadas. Exige ouvir as pessoas que a carregam no corpo, nos gestos, na memoria. E registrar antes que seja tarde.
ESTA E UMA COLUNA DE DEMONSTRACAO. As opinioes acima sao ficticias e nao representam posicoes reais de pessoas ou organizacoes.